4.3.11

A CABANA: O fim do discernimento evangélico!

por Dr. Albert Mohler, presidente do Southern Baptist Seminary (batista do sul)

Dr. Albert Mohler
O mundo editorial vê poucos livros alcançarem o status de blockbuster, mas A cabana, de William Paul Young, já ultrapassou esse ponto. O livro, originalmente auto-publicado por Young e mais dois amigos, já vendeu mais de 10 milhões de cópias e foi traduzido para em mais de trinta línguas. Já é um dos livros mais vendidos dois últimos tempos, e seus leitores são muito entusiasmados.
De acordo com Young, o livro foi escrito originalmente para seus filhos. Essencialmente, a história pode ser descrita como uma teodicéia narrativa – uma tentativa de responder às questões sobre o mal e o caráter de Deus por meio de uma história. Nessa história, o personagem principal está enfrentando grande sofrimento após o seqüestro e homicídio brutal de sua filha de sete anos, quando recebe um convite que se torna um chamado de Deus para encontrá-lo na mesma cabana onde sua filha foi assassinada.
Na cabana, “Mack” se encontra com a divina "Trindade": “Papa”, uma mulher afro-americana; "Jesus", um carpinteiro judeu; e “Sarayu”, uma mulher asiática revelada como sendo o Espírito Santo. O livro é na maior parte uma série de diálogos entre Mack, Papa, Jesus e Sarayu. Essas conversas revelam um Deus bem diferente do Deus da Bíblia. Por exemplo, "Papa" (Deus Pai) é alguém que nunca faz algum julgamento e parece muito determinado em afirmar que toda a humanidade já foi redimida.
A teologia de A cabana não é incidental na história. De fato, em muitos pontos a narrativa parece servir apenas como estrutura para os diálogos. E os diálogos revelam uma teologia que é, no mínimo, inconvencional e indubitavelmente herética sob alguns aspectos.
Enquanto o dispositivo literário de uma “trindade” incomum das pessoas divinas é em si mesmo sub-bíblico e perigoso, as explicações teológicas são piores: Papa fala a Mack sobre o momento em que as três pessoas da Trindade “se manifestaram à existência humana como o Filho de Deus”. Em lugar algum da Bíblia se fala sobre o Pai ou o Espírito vindo à existência humana. A Cristologia do livro é semelhantemente confusa. Papa diz a Mack que, mesmo Jesus sendo completamente Deus, “ele nunca dependeu de sua natureza divina para fazer alguma coisa. Ele apenas viveu em relacionamento comigo, vivendo da mesma maneira que eu desejo viver em relacionamento com todos os seres humanos”. Quando Jesus curou cegos, “Ele o fez apenas como um ser humano dependente e limitado, confiando em minha vida e meu poder trabalhando nele e através dele. Jesus, como ser humano, não tinha poder algum em si para curar qualquer pessoa”.
Há uma extensa confusão teológica para desbaratar aí, mas é suficiente dizer que a Igreja cristã tem lutado por séculos para ter um entendimento fiel da Trindade para evitar exatamente esse tipo de confusão – um entendimento que põe em risco a própria fé cristã.
Em outro capítulo, Papa corrige a teologia de Mack ao afirmar “Eu não preciso punir as pessoas pelo pecado. O pecado é a própria punição, te devorando por dentro. Não é meu propósito puní-lo; minha alegria é curá-lo”. Sem dúvida alguma, o prazer de Deus está na expiação alcançada pelo Filho. Entretanto, a Bíblia revela - consistentemente - que Deus é o santo e correto Juiz, que irá de fato punir pecadores. A idéia de que o pecado é meramente “a própria punição” se encaixa no conceito oriental de karma, não no evangelho cristão.Jesus diz a Mack que ele é “a melhor forma para qualquer humano se relacionar com Papa ou Sarayu”. Não o único caminho, mas apenas o melhor caminho.
O relacionamento do Pai com o Filho, revelado em textos como João 17, é rejeitado em favor de uma igualdade absoluta de autoridade entre as pessoas da Trindade. Papa explica que “nós não temos nenhum conceito de autoridade final entre nós, apenas unidade”. Em um dos parágrafos mais bizarros do livro, Jesus fala para Mack: “Papa está tão submisso a mim como eu estou a ele, ou Sarayu a mim, ou Papa a ela. Submissão não tem a ver com autoridade e não é obediência; tem a ver com relacionamentos de amor e respeito. Na verdade, somos submissos a você da mesma forma”.
A submissão da trindade a um ser humano – ou a todos os seres humanos – teorizada aqui é uma inovação teológica do tipo mais extremo e perigoso. A essência da idolatria é a auto-adoração, e a idéia de que a Trindade é submissa (de qualquer forma) à humanidade é indiscutivelmente idólatra.
Os aspectos mais controversos da mensagem do livro envolvem as questões de universalismo, redenção universal e reconciliação total. Jesus diz a Mack: “Aqueles que me amam vêm de todos os sistemas existentes. São budistas ou mórmons, batistas ou muçulmanos, democratas, republicanos e muitos que não votam ou não fazem parte de qualquer reunião dominical ou instituição religiosa”. Jesus acrescenta, “Eu não tenho nenhum desejo de torná-los cristãos, mas apenas acompanhá-los em sua transformação em filhos e filhas do meu Papa, em meus irmãos e irmãs, meus Amados”.
Mack faz então a pergunta óbvia – todos os caminhos levam a Cristo? Jesus responde “muitos caminhos não levam a lugar algum. O que significa que eu vou caminhar por qualquer caminho para te achar”.
Dado o contexto, é impossível não tirar conclusões essencialmente universalistas ou inclusivistas sobre o pensamento de William Young. Papa diz a Mack que ele está reconciliado com todo o mundo. Mack questiona: “Todo o mundo? Você quer dizer aqueles que acreditam em você, certo?”. Papa responde “O mundo inteiro, Mack”.
Karl Barth
Tudo isso junto leva a algo muito parecido com a doutrina da reconciliação proposta por Karl Barth. E mesmo que Wayne Jacobson, colaborador de William Young, tenha lamentado que a “auto intitulada polícia doutrinária” tenha acusado o livro de ensinar a reconciliação total, ele reconhece que as primeiras versões dos manuscritos eram muito influenciadas pelas convicções “parciais, na época” de Young na reconciliação total – o ensino de que a cruz e a ressurreição de Cristo alcançaram uma reconciliação unilateral de todos os pecadores (e toda a criação) com Deus.
James B. DeYoung, do Western Seminary (batista conservadora) e especialista em Novo Testamento e grego, que conhece William Young há anos, afirma que Young aceita uma forma de “universalismo cristão”. A cabana, ele afirma, “está fundamentado na reconciliação universal”.
Mesmo quando Wayne Jacobson e outros reclamam daqueles que identificam heresias em A cabana, o fato é que a Igreja cristã identificou explicitamente esses ensinamentos exatamente como são – heresia. A questão óbvia é: Como é que tantos cristãos evangélicos parecem não apenas serem atraídos para essa história, mas para a teologia apresentada na narrativa – uma teologia que em muitos pontos conflita com as convicções evangélicas?
Observadores evangélicos não estão sozinhos nessa questão. Escrevendo em The Chronicle of Higher Education (A Crônica da Educação Superior), o professor Timothy Beal da Case Western University argumenta que a popularidade de A cabana sugere que os evangélicos talvez estejam mudando sua teologia. Ele cita os “modelos metafóricos não-bíblicos de Deus” do livro, assim como o “não hierárquico” modelo da Trindade e, mais importante, “a teologia da salvação universal”.
Beal afirma que nada dessa teologia é parte da “teologia evangélica tradicional”, e então explica: “De fato, todas as três estão enraizadas no discurso acadêmico radical e liberal dos anos 70 e 80 – trabalho que influenciou profundamente a teologia da libertação e o feminismo contemporâneo, mas, até agora, teve pouco impacto nas conjecturas teológicas não-acadêmicas, especialmente dentro do meio religioso tradicional”.
Ele então pergunta: “O que essas idéias teológicas progressivas estão fazendo dentro desse fenômeno evangélico 'pop'?”. Resposta: “Poucos de nós sabemos, mas elas têm sido presentes nas margens liberais do pensamento evangélico por décadas”. Agora, continua, A cabana tem introduzido e popularizado esses conceitos liberais mesmo em meio aos evangélicos tradicionais.
Timothy Beal não pode ser considerado apenas um “caçador de heresias” conservador. Ele está empolgado com a forma que essas “idéias teológicas progressivas” estão “se infiltrando na cultura popular por meio de A cabana”.
De forma similar, escrevendo em Books & Culture (Livros & Cultura), Katherine Jeffrey conclui que A cabana “oferece uma teodicéia pós-moderna e pós-bíblica”. Enquanto sua maior preocupação é o lugar do livro “em um cenário literário cristão”, ela não pode evitar o debate dessa mensagem teológica.  Ao avaliar o livro, deve manter-se em mente que A cabana é uma obra de ficção. Mas é também um argumento teológico, e isso não pode ser negado. Um grande número de romances e obras de literatura notáveis contém aberrações teológicas e até heresias. A questão crucial é se a aberração doutrinária é apenas parte da história, ou é a mensagem da obra propriamente dita. Quando se fala em A cabana, o fato mais perturbante é que muitos leitores são atraídos pela mensagem teológica do livro, e não enxergam como ela é conflitante com a Bíblia em tantos pontos cruciais.
Tudo isso revela um fracasso desastroso do discernimento evangélico. É difícil não concluir que o discernimento teológico é agora uma arte perdida entre os evangélicos – e essa perda só pode levar à catástrofe teológica.
"A resposta não é banir A Cabana ou tirá-lo das mãos dos leitores"
- Al Mohler
A resposta não é banir A cabana ou tirá-lo das mãos dos leitores (Porém, nos deste blog perguntamos: "Por que as livrarias evangéli-cas destacam o livro tanto? Por que há tantos evangélicos promovendo a leitura desse livro tão problemático? O que aconteceu com o discernimento bíblico? Oh, acho que ele se perdeu quando as igrejas evangélicas, de modo geral, abandonaram a pregação expositiva da Palavra de Deus em favor de tantos modismos, prosperidade e outros métodos para atrair - e manter - o ímpio e/ou o falso convertido às/nas igrejas.)  Não devemos temer livros – devemos lê-los para respondê-los. Precisamos desesperadamente de uma restauração teológica que só pode vir através da prática do discernimento bíblico. Isso requer de nós identificarmos os perigos doutrinários de A cabana, para termos certeza. Mas nossa tarefa verdadeira é reaproximar os evangélicos dos ensinos da Bíblia sobre essas questões e cultivar um rearmamento doutrinário dos cristãos.
A cabana é um alarme para o cristianismo evangélico. É o que dizem afirmações como as de Timothy Beal. A popularidade desse livro entre os evangélicos só pode ser explicada pela falta de conhecimento teológico básico entre nós – uma falha no próprio entendimento do Evangelho de Cristo. A perda trágica da arte do discernimento bíblico deve ser assumida como uma perda desastrosa de conhecimento bíblico. Discernimento não consegue sobreviver sem doutrina.
Traduzido por Filipe Schulz | iPródigo

12 comentários:

Fernanda disse...

Olá Bill!!
Achei muito interessante esse texto. Desde que todo mundo começou a falar deste livro percebi que não leria. Geralmente livros que mais sensacionalistas e que querem causar um impacto no público chamam muito a atenção e acabam não me interessando. Acho fracos e não consigo ler mais de um capítulo. Isso aconteceu quando comecei a ler "Por que você não quer mais ir à Igreja" e um do Augusto Cury. Não passei do primeiro capítulo de ambos os livros.
Concordo com o fato de livros como eeses fazerem tanto sucesso entre os cristãos porque as pessoas estão ignorando os conhecimentos bíblicos e buscando qualquer outra forma de preencher aquilo que desejam.
Percebo também que nas livrarias cristãs livros muito ruins, (e não digo isso porque considero outros tipos de literatura ruins. Leio de tudo e ultimamente não tenho conseguido ler muitos dos livros publicados no meio evangélico), estão sendo colocados em destaque.
Às vezes tenho a sensação de um momento pós-cristão no meio dos cristãos, que caminham perdidos em meio à ensinamentos e condutas distantes do Evangelho.

Um abraço

Fernanda

suyane disse...

Queria participar de forma mais consistente, porém o que tenho a falar é que o comentário só ratificou as minhas impressões...
Li o livro, mais por insistência do que por vontade própria, enquanto todo mundo estava amando, eu estava me achando "do contra", pois exatamente o que o Autor do texto acima fala, eu também tive essas conclusões ao ler o livro. Até cheguei a procurar na internet algum comentário que concordasse comigo, porém, a época não encontrei e estava mais confusa ainda pois só encontrava elogios ao livro. Realmente o livro apresenta é um evangelho bem diferente do que conheço...é um Jesus, aliás uma trindade muito boazinha, que nunca questiona o ser humano, não o concerta, o seu caráter defeituoso está bom...ou seja, é um Evangelho que o mundo quer, não precisa fazer nada para morar no ceu...não precisa se negar para seguir Jesus...e ainda por cima pode continuar no seu caminho torto, pois todos os caminhos, por mais heréticos e anti-bíblicos que sejam te levarão a até Jesus. É muito diferente do evangelho que conheci.

BeA disse...

Valeu seu comentário, Fernandinha! Concordo plenamente com ele.

Mudando de assunto, e a lua de mel? Como vai/foi? Infelizmente tínhamos um treinamento de evangelismo para dar na nossa igreja, que impossibilitou nossa presença no seu casamento. Ficamos sabendo que foi ÓTIMO! Parabéns!!!

Abração!

BeA disse...

Suyane, tem sido difícil achar avaliações do livro em português. Eu me lembro discutindo há dois anos com alguns cristãos (inclusive missionários e um pastor) a leitura do livro, sem falar no uso do livro no evangelismo! Um "cristão" (hoje ele se considera agnóstico) falava inglês fluentemente; por isso eu mandei para ele um vídeo criticando o livro pelo pastor norteamericano Mark Driscoll. A resposta: "Tem nada a ver." O missionário afirmou ter lido A Cabana várias vezes e não ter reparado nada teologicamente questionável! O pastor promovia a leitura do livro na igreja para estimular o diálogo. Enfim, quando eu descobrir qualquer crítica bíblica do livro, eu faço questão de encaminhá-la... ou publicá-la aqui. Viu a outra postagem sobre o livro aqui neste blog (O POLÊMICO LIVRO "A CABANA" E A HERESIA DO "UNIVERSALISMO CRISTÃO")?

Parabéns pelo "olho crítico" que você tem, especialmente quando você leu A Cabana. São justamente cristãos como você que me dão esperança: "Pois aparecerão falsos cristos e falsos profetas que realizarão grandes sinais e maravilhas para, se possível, enganar até os eleitos." O fato que você não foi enganada, mesmo por um livro, demonstra que você é eleita. Esses outros? Sei lá.

Abraço!

Anônimo disse...

Olá Bill!

Li o livro e o texto acima e gostaria de ressaltar dois pontos.
1. Que concordando com Timothy Beal:"A popularidade desse livro entre os evangélicos só pode ser explicada pela falta de conhecimento teológico básico entre nós – uma falha no próprio entendimento do Evangelho de Cristo. A perda trágica da arte do discernimento bíblico deve ser assumida como uma perda desastrosa de conhecimento bíblico. Discernimento não consegue sobreviver sem doutrina." De fato o livro tem heresias em relação ao cristianismo. E se alguém não notou ou não nota, mostra que está sem discernir bem as coisas, a mente pode estar cauterizada ou possui falta de conhecimento bíblico. Agora se notaram as heresias e continuam indicando para outros é porque gostaram da história e narrativa do livro.

2. Eu achei bom o livro, no que podemos dizer sendo uma obra de FICÇÃO! Em geral me fez alargar minha visão sobre tudo. Se com conhecimento bíblico e discernimento lemos o livro e identificamos o que é bom e o que é ruim fica legal a leitura! Isso falo de mim pensando em mim apenas. Mas, voltamos ao problema de que as pessoas tem esse mau de lerem tudo e acharem que é verdade, daquele jeito mesmo, sem criticar e lembrar o fato de que tem escrito na frente do livro "Ficção". Desta forma me deixa triste muitos estarem sendo enganados ou levados para religiões que tem a mesma visão da do livro. Se ao menos se interessassem em ir atrás da verdade, pesquisar, estudar o livro teria um bom resultado! Porque, ao conhecer a verdade seriam libertos! Talvez isso aconteça com a minoria.. Já sobre a editora sextante eu não sei ao certo, mas já li outros livros dela e me parece sempre ter esta tendência de misturar religiões. Como doutrinas do espiritismo e outras.

Se falei algo que não ficou claro, pode me mandar um email para conversarmos.
[henrique@bmm.org.br]

Abraço!
Henrique - BMM

Luciana disse...

Eu não li o livro, mas sei que a crítica e vários evangélicos gostaram dele.
Quando as pessoas leem o que querem ouvir, torna-se tudo muito agradável, é o que está na moda. Mas não há verdades nessa leitura, então em pouco tempo as pessoas irão parar de comentar e ficará no esquecimento. Sendo que a Bíblia sagrada continuará por séculos...

Abraços,

Luciana Monte.

BeA disse...

Valeu o comentário, Henrique.Não esqueçamos que o Inimigo pode usar meios não-ofensivos para transmitir suas ofensas. A ficção é justamente um desses meios. Ouvi uma entrevista do Young por um pastor bem-educado, e o que ficou óbvio foi o propósito do autor comunicar sua teologia - e heresias - pelo meio da ficção. Sabendo que um livro pretende fazer isso, eu pergunto por que o público evangélico perde seu dinheiro e tempo com ele? Sem querer a gente acaba assimilando conceitos errados sem perceber, sem falar em contaminar outros cristãos por indicar o livro. Paulo tinha algumas palavras bem fortes para tais mestres em Gálatas 1; João também nas suas cartas. Heresia não é uma coisa para tratar levamente, mas para condenar! Paulo disse, "Que sejam anátemas"! Abraço!

BeA disse...

Valeu o comentário, Luciana! Gostei especialmente sua última frase: "Sendo que a Bíblia sagrada continuará por séculos..." É a verdade, mas não significa que ela não vai ser atacada, né? Abração!

Gil disse...

Li o livro duas vezes. Não li pq precisa de edificação ou pq minha fé precisava. Li pq todo mundo estava lendo e poderia ser um ótimo pretexto para conversar com as pessoas sobre Deus. Não sou um caçador de hereges ou de heresias, talvez um garimpador de verdade, e há muitas neste livro e milhões de pessoas estão sendo expostas a elas e estão com o coração aberto pra saber mais sobre Deus.
O livro é uma ficção e não um tratado teológico e ainda que expresse algumas convicções teológicas (mesmo que equivocadas) do autor, ele não formula "teologia". Essa tentativa de "censura" faz parecer que a verdade é mais frágil que a mentira e que seremos contaminados pelas heresias... As pessoas leem a Bíblia e controem heresias a partir dela. A questão não é necessariamente o que vc lê, mas quem lê. Acho interessante advertir, pedir cuidado, não sair por acreditando em tudo que se lê (principalmente em ficção), mas ficar taxando de sem discernimento teológico aqueles que leem e gostam é exagero.

BeA disse...

@Gil: Baseado na minha pesquisa e leitura de A cabana, eu continuo acahando um absurdo ter "evangélicos" promovendo esse livro, especialmente entre outros "evangélicos" (Coloco "evangélicos" entre aspas de propósito.). À luz da sua multidão de problemas teológicos, a aceitação animada do livro pelo meio "evangélico" demonstra, na melhor das hipóteses, uma falta de discernimento. E na pior? Portanto, temos os "porta-vozes" do mundo cristão saindo da linha toda hora - veja minha postagem sobre Ricardo Gondim, Rob Bell, etc.

Sim, "A cabana" é ficção, mas é ficção com uma agenda! Eu ouvi uma entrevista do autor, William P. Young, onde ele explicou seus motivos por tras de cada "coisa estranha", e todos, sem exceção, representavam sua teologia equivocada. Colocando suas idéias num livro de ficção não diminui seu perigo; pelo contrário, o aumenta, por elas entrarem sutilmente na mente do leitor durante uma leitura "leve e descontraída".

Olha, enquanto Paulo condenava "outro evangelho", que "A cabana" certamente é, em Gálatas 1; enquanto havia falsos mestres enganando as ovelhas em Éfeso (1 Timóteo), Galácia, nas igrejas que receberam 1 e 2 Pedro e 1-3 João, etc.; enquanto Judas gastou sua carta avisando a igreja sobre hereges no meio das igrejas (e onde ele manda "batalhar pela fé" em v. 3)... temos alguns líderes "evangélicos" defendendo o uso dele até no evangelismo?! Falando no evangelismo, eu compararia o uso de A cabana - para estimular um diálogo com incrédulos - ao uso do Alcorão para orientar um muçulmano sobre os atributos de Deus.

Por outro lado, apesar dos meus sentimentos fortes a respeito do uso irresponsável do livro por alguns "evangélicos", sugiro que lesse o penúltimo parágrafo de novo para lembrar-se do que Al Mohler, cujo artigo está sendo debatido aqui, fala sobre "censura". Ler o livro com olho crítico é uma coisa; lê-lo com mente e coração abertos é outra.

Por isso eu não acho o artigo de Mohler um "exagero"; pelo contrário, deveria servir como um despertador! Aparentemente nem todos os leitores deste blog gostaram do "ring tone" do meu despertador, mas eu creio que a maioria podem beneficiar-se da sabedoria de alguém como Dr. Al Mohler.

Anônimo disse...

É, realmente, hoje os cristãos estão tão sem discernimento, que aceitam segundo casamento, deixam as mulheres sendo pastoras(a mulher não pode trazer ensino sobre a Igreja), Paulo deixou muito claro, aceitam homossexualismo(as estatisticas comprovam que apenas 33% dos cristãos são contra), e ficam criticando um livro como este citado acima. Gostaria, que cada um que lesse o livro A CABANA, orasse ao Senhor e pedisse total revelação do Espirito Santo, antes de Criticar. Nós não somos melhores do que ninguém para criticarmos. O Cristão que ora, não critica, antes leva o irmão em oração. Que cada um tenha temor em abrir a boca, pois toda a palavra mal proferida, será julgada.
Quem conhece o Propósito de Deus, que não é a salvação, a salvação é O Meio para alcançarmos O Propósito, o Seu propósito é que sejamos semelhantes a Jesus, e quem conhece este propósito, e anda com Deus, sabe, que o que foi dito neste livro, não é pra qqr pessoa, pois muitos vieram a interpretar erroneamente, mas para aqueles que tem noção do Reino de Deus.
Deus é amor, e ja vi muitos falando por que Deus se apresentou como uma mulher. Agora me digam: para Makenzi, se Deus viesse como homem, ele O ouviria? Jesus, é um homem simples, e eu gostei da forma como ele se apresenta no livro, como uma homem moreno, o que faz mais sentido do que loiro, visto que Ele é da Judeia.
Sem contar no Espirito Santo. Em outro site, eu li que a comparação é pq os orientais são mais mistiticos que os ocidentais. Me desculpe, mas um cistão racista? Voces já viram um oriental indiscreto? Que faça barulho? Ou que seja mau educado? Eu vivo numa região cheia dele, e confesso, de ocidentais mau educados tem aos montes, mas os orientais não são. O Espirito Santo é puro, suave, delicado,sensivel.
Queridos, precisamos dar atenção a voz do Espirito, acontece que Ele é tão educado, que nós mau educados, não paramos para escutá-lo. Escutar a Voz dEle, quando lermos um livro, a Bíblia, e até mesmo no nosso dia a dia, em cada momento. Eu tenho uma filha especial, e a palavra ensina como devemos corrigir os nossos filhos e aí? A minha criança é bem diferente, então eu dependo dEle. Pois é Ele quem me dá as instruções. Precisamos amar mais. A Palvra fala que nos ultimos dias o amor de muitos se esfriaria,e não é o nosso amor não, mas o amor DE DEUS. Muitos tem se apostatado da Fé.
Então, o meu conselho é que deixemos de nos preocupar com picuinhas, precisamos ganhar vidas, e formar o caráter de Cristo nelas, e não é jugar tudo dentro de uma denominação e esperar formar ali uma vez por semana, mas é no dia a dia, em andar juntos, como na Igreja de Atos. Quem ler esta mensagem, aceite o meu conselho, é andando juntos que aprendemos e debatemos estas coisas, e não em sites, onde hajam diversos pontos de vista e a vida da Igreja fica exposta à crítica do mundo. Ponhamos um fim a toda esta divisão diabólica que há entre as igrejas, esta semente é do diabo e precisamos por um fim nisto. Somos igreja, e precisamos amarmos ums aos outros, pois qdo Jesus voltar, Ele buscará aqueles que se mantiveram em santidade, independente de que igreja congrega. Oremos.

BeA disse...

Para Anônimo: Infelizmente para você, seu comentário acaba provando a tese do autor do artigo sendo discutido aqui: O FIM DO DISCERNIMENTO EVANGÉLICO! Que pena. Além de uma visão equivocada da Bíblia em comparação com outros livros, você acha que discernimento cristão divide a Igreja. Na realidade, discernimento cristão separa a verdade da falsidade, a ovelha do bode, o trigo do joio, etc. O fato que você defende esse livro herético me faz questionar em qual lado de Jesus você estará no dia do Grande Juízo: no lado direito ou no lado esquerdo [Mt. 25.33]?